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Padre Antônio Vieira
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Padre Antônio Vieira

Padre Antônio Vieira, nascido em 1608 na cidade de Lisboa, foi um grande escritor do período conhecido como Barroco. Estreou no púlpito (com o sermão pregado em 1633, na Bahia) um ano antes de sua ordenação sacerdotal, começou a atuar na Companhia de Jesus e se formou em 1626. A partir de 1641 estava novamente em Lisboa, onde seria nomeado Pregador Real e Tribuno da Restauração(lembre-se de que a Restauração da Coroaportuguesa inicia-se em 1640, com D. João IV). Em 1646 e 1647 Vieira foi incubido de missões secretas na França e na Holanda. Entre o final de 1652 e o final de 1661, esteve no Maranhão, chefiando a missão jesuítica. Sua ação foi decisiva para a promulgação da "Lei da Liberdade dos Índios", de 1655. A um homem tão brilhante o politicamente tão eficiente não poderiam faltar as perseguições: preso pela Inquisição, permaneceu recluso entre 1665 e 1668. Uma sentença do Tribunal do Santo Ofpicio cassou-lhe a palavra em 1667. Partiu então para Roma, onde ficou durante 6 anos, conseguindo afinal que Clemente X o isentase da Inquisição. Seu pai era funcionário da corte portuguesa. Escreveu 203 sermões, dos quais publicou 190 em vida, e cerca de 500 cartas e profecias que reuniu no livro "Chave dos Profetas". Suas obras eram "impregnadas" de filosofia e isso levava alguns a considerá-lo um filósofo que tratava de assuntos cristãos. Além da teologia, o Padre Antônio Vieira estudou Lógica,Física,Metafísica,Matemática e Economia. Padre Antônio Vieira, da maioria de seus sermões publicados em vida, agrupou em 12 Tomos, que vieram a lume em 1679 e 1



699, o último deles, que preparou quase cego, seguiu para o impressor de Lisboa no mesmo barco que levava a notícia de seu falecimento, aos 89 anos. Paralelo ao projeto, publicara um volume, não numerado nem nomeado, com três sermões que viria a ser considerado o volume XIII. Posteriormente a sua morte, ainda foram publicados XIV e o XV tomos, com sermões que eles escrevera mas não publicara ainda em vida. Vieira morreu em Salvador em 18 de Julho de 1697.


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Pe. Antônio Vieira(1608-1697)

        Aos 33 anos, voltou a Portugal com uma comissão de apoio ao novo rei Dom João IV, a quem sugeriu a entrega da província de Pernambuco aos holandeses, que tinham invadido a área, como medida para a reconciliação entre Portugal e os Países Baixos. Essa proposta, aliada ao fervor do Padre em defender os judeus , provocou uma conturbação que culminou com sua volta ao Brasil, onde estabeleceu-se como missionário no norte do Maranhão.  Em 1661, perseguido pelos senhores de escravos por seu posicionamento contra a escravidão indígena, Antônio Vieira viu- se obrigado a deixar o Maranhão, refugiando-se então na cidade de Lisboa, onde foi acusado de heresia em virtude das obras: "Quinto Império" , "História do Futuro" e "Chave dos Profetas" ,sendo condenado pela Inquisição à prisão, onde permaneceu durante dois anos (1665- 1667). Em 1669, seguiu para Roma, onde permaneceu durante 6 anos.  Retornou ao Brasil em 1681 e dedicou-se à literatura até seu falecimento, aos 89 anos.(Rafaella-102)

Sua obras foram muito conhecidas e podem ser divididas da seguinte forma:

  • Profecias: O padre foi autor de 3 profecias: História do Futuro, que traz reflexões sobre as profecias das sagradas escrituras; Esperanças de Portugal e Clavis Prophetarum .


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  • Cartas: Vieira escreveu cerca de 500 cartas nas quais são tratados assuntos relacionados à relação entre Portugal e Holanda. Essas cartas são consideradas documentos de extrema importância, já que tratam de situações sócio-politicas da época.


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  • Sermões: O autor escreveu cerca de 200 sermões "baseando-se" no estilo barroco tratando de assuntos de forma racional e lógica além de utilizar a retórica aprimorada em suas obras. Um de seus sermões mais conhecidos é o "Sermão da Sexagésima".

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    A estrutura desse, que um dos sermões mais conhecidos de Pe. Antô

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    sermão da sextagésima

    nio Vieira, é um exemplo da forma com que ele dava grande importância a ordenação discursiva, seguindo rigorosamente a estrutura clássica.

  • Introdução:</li>
  • o tema do sermão é a parábola do semeador</li>
  • Na exposição, Vieira pergunta: "se a palavra de Deus é tão poderosa; se a palavra de Deus tem hoje tantos pregadores, por que não vemos hoje nenhum fruto da palavra de Deus?" E explica que: "Esta tão grande e tão importante dúvida será matéria do sermão".</li>

    2. Na demostração, Vieira examina cuidadosamente todas as possíveis causas da ineficiência dos sermoes. A culpa seria ou de Deus, ou dos ouvintes, ou do pregador. Depois de eliminar as duas primeiras possibilidades, conclui que a culpa é do pregador. Ele passa então a examinar a culpa do pregador, considerando sua Pessoa, sua Ciência, a MATERIA e o ESTILO de seus sermões e sua VOZ. Ao analisar o ESTILO, Vieira faz uma critica veemente ao culitismo, que ele considera afetado e obscuro.

    3. Na conclusão, Vieira diz: "Semen est verbum Dei. Sabeis, cristãos a causa por que se faz hoje tão pouco fruto com tantas pregações? É porque as palavras dos pregadores são palavras, mas não são palavras de Deus."

    (Esther Iolanda-107)

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  • Aos 33 anos, voltou a Portugal com uma comissão de apoio ao novo rei Dom João IV, a quem sugeriu a entrega da província de Pernambuco aos holandeses, que tinham invadido a área, como medida para a reconciliação entre Portugal e os Países Baixos. Essa proposta, aliada ao fervor do Padre em defender os judeus , provocou uma conturbação que culminou com sua volta ao Brasil, onde estabeleceu-se como missionário no norte do Maranhão.

    Em 1661, perseguido pelos senhores de escravos por seu posicionamento contra a escravidão indígena, Antônio Vieira viu- se obrigado a deixar o Maranhão, refugiando-se então na cidade de Lisboa, onde foi acusado de heresia em virtude das obras: "Quinto Império" , "História do Futuro" e "Chave dos Profetas" ,sendo condenado pela Inquisição à prisão, onde permaneceu durante dois anos (1665- 1667).

    Em 1669, seguiu para Roma, onde permaneceu durante 6 anos.

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  • Estando em roma Padre Antônio Vieira liderou grandes discursos e sermões e junto com apoio poderosos renovou a luta contra a inquisição, com essas grandes manifestações ele chamou atenção de pessoas influentes até mesmo do Governo Geral do Brasil, a corte de D.João IV e do Papa que acabou assim a anulação de suas penas e condenações.

    Retornou ao Brasil em 1681 e dedicou-se à literatura até seu falecimento, aos 89 anos.(Rafaella-102)


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  • Padre Antônio Vieira e seus sermões

    O padre Antônio Vieira foi um dos grandes pregadores da Reforma Católica, e escreveu diversos sermões que buscavam arrebatar o ouvinte para despertar a sua consciência e convidá-lo a pensar e agir de acordo com os princípios da ética cristã. Um dos sermões do padre Vieira é o Sermão vigésimo sétimo. Nele, o padre se dirige aos escravos, tratando das suas condições, consolando-os e confortando-os, apontando os benefícios de fazer parte desse povo como uma maneira de conformá-los e de atender aos interesses da Igreja. Alguns trechos desse sermão são interessantes e merecem destaque:

    "Os outros nascem para viver, estes para servir; nas outras terras do que aram os homens e do que fiam e tecem as mulheres, se fazem os comércios; naquela o que geram os pais e o que criam a seus peitos as mães, é o que se vende e se compra. Oh trato desumano, em que a mercancia são os homens! Oh mercancia diabólica, em que os interesses se tiram das almas alheias, e os riscos são das próprias!"

    "Já se depois de chegados olharmos para estes miseráveis e para os que se chamam seus senhores, o que se viu nos dois estados de Jó, é o que aqui representa a fortuna, pondo juntas a felicidade e a miséria no mesmo teatro. Os senhores poucos, os escravos muitos; os senhores rompendo galas, os escravos despidos e nus; os senhores banqueteando, os escravos perecendo à fome; os senhores nadando em ouro e prata, os escravos carregados de ferros; os senhores tratando-os como brutos, os escravos adorando-os e temendo-os como deuses; os senhores em pé apontando para o açoite, como estátuas da soberba e da tirania, os escravos prostrados com as mãos atadas atrás como imagens vilíssimas da servidão e espetáculos da extrema miséria."

    Nesses trechos, padre Vieira foca na péssima e desumana condição dos escravos, que são tratados como mercadorias e enfrentam diariamente uma intensa humilhação e tortura dos seus senhores. No último verso, o padre cita vários aspectos voltados à desigualdade entre os escravos e seus senhores, o que funciona como um apelo emocional para arrebar as almas e despertar o interesse dos negros africanos para a verdadeira intenção do sermão, que é defender a escravidão.

    "Oh Deus! Quantas graças devemos à fé que nos destes, porque ela só nos cativa o entendimento, para que á vista destas desigualdades, reconheçamos contudo vossa justiça e providência!"

    "Quem pudera cuidar que as plantas regadas com tanto sangue inocente houvessem de medrar nem crescer, e não produzir senão espinhos e abrolhos? Mas são tão copiosas as bênçãos de doçura, que sobre elas derrama o Céu, que as mesmas plantas são o fruto, e o fruto tão precioso, abundante e suave, que ele só carrega grandes frotas, ele enriquece de tesouros o Brasil e enche de delícias, o Mundo.'

    "Comparo o presente com o futuro, o tempo com a eternidade, o que vejo com o que creio, e não posso entender que Deus, que criou esse homens tanto à sua imagem e semelhança como os demais, os predestinasse para dois infernos: um nesta vida, outro na outra. Mas quando hoje os vejo tão devotos e festivais diante dos altares da Senhora do Rosário, todos irmãos entre si, como filhos da mesma Senhora, já me persuado sem dúvidas, que o cativeiro da primeira transmigração é ordenado por sua misericórdia para a liberdade da segunda."

    "[...] o fogo de Deus neste estado vos imprimiu a marca de cativos; e posto que esta seja de opressão, também como fogo vos iluminou [...]. Mas neste mesmo estado da primeira transmigração, que é a do cativeiro temporal, vos estão Deus e sua Santíssima Mãe dispondo e preparando para a segunda transmigração, que a da liberdade eterna."

    Nesses trechos, o padre consola e anima os escravos, alegando que são eles que enriquecem o Brasil com os seus tesouros, que a desigualdade entre eles e seus senhores é fruto da justiça de Deus, e que o cativeiro nessa vida ocorre para que eles tenham liberdade eterna na segunda vida. Com isso, o padre visa promover a conformação dos escravos, mantendo a escravidão no país - o que era de interesse da Igreja e dos senhores de engenho, que sustentavam a economia.

    Renata Aguiar M Silva - Turma 101


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  • </li> Algumas das obras de Padre Antônio Vieira:
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    S. Antônio em sermão aos peixes


    Sermão de Santo António aos Peixes Este sermão (completamente alegórico) pregou Antônio Vieira três dias anteriores ao embarque oculto ao Reino, procurando o remédio da salvação dos Índios, pelas causas apontadas no I. Sermão do Tomo I, o sermão da Sexagésima. Neste sermão, Vieira tras todos os pontos da doutrina (estando perseguida) que melhor eram ao bem espiritual e temporal daquela terra, como se pode entender das mesmas alegorias. Neste sermão, o padre começa interpretando Jesus quando fala : ¨Vós sois o sal da Terra¨, quando fala aos sacerdotes. Segundo Jesus, o pregadores devem salgar a Terra, livrá-la da corrupção, mas se eles não conseguem fazer isso, há um motivo, ou o sal da Terra não consegue salgá-la (então coloca que o sal que não salga é inútil e deve só ser pisado), ou a Terra não se deixa ser salgada. Vieira ressalta trás a figura de Santo Antônio, que visto enxotado por homens em terra, quando pregava a sua doutrina, não mudou seu modo de pensar e nem de pregar, apenas mudou o local e para quem pregava, foi ao mar pregar para peixes. Então Vieira, na ideia de seguir o que Santo Antônio fez, faz um sermão como se fosse para os peixes. É interessante que a igreja em que ele pregava este sermão, com nome de Capela do Senhor Bom Jesus dos Navegantes, que ainda hoje existe, era perto da praia tanto é que ele fala ¨O mar está tão perto, que bem me ouvirão. Os demais podem deixar o sermão, pois não é para eles¨. Com toda essa irreverência, muito típica do barroco, Padre Antônio Vieira começa a pregar diante da igreja como se fosse aos peixes do mar. O padre então prega a superioridade dos peixes em certos aspectos e o que admira neles, como serem os primeiros animais criados por Deus, serem os únicos que sobreviveram ao dilúvio por completo e por viverem afastados da maldade humana. Mas também prega os defeitos, por ele considerados, que os peixes também tem, como comer uns aos outros revelando grande cobiça e crueldade nisso e a ambição de uns em ser peixe e querer ser ave (nisso, pensa-se aqueles peixes que saltam do mar para sair da água) o que ele repreende de várias maneiras, até contando uma história de um falso messias que queria voar, mas então Deus o castiga tirando-lhe as asas e e os pés para que nem voe e nem mais ande. Tudo que Padre Antônio Vieira fala aos peixes na verdade seriam para que os fiéis refletissem os preceitos do que é certo, ou não fazer. Por fim, Vieira termina o sermão com ¨Amém. Como não sois capazes de Glória, nem Graça, não acaba o vosso Sermão em Graça, e Glória¨. Padre Antônio Vieira pregando seu sermão de maneira totalmente diferente e irreverente, além do uso de metáforas em todo o texto, apresenta características do barroco muito bem claras. Sobre sua característica individual de escrita, sua crítica à corrupção dentro do clero pode ser colocada.

    Antônio Vieira nasceu em Lisboa,no dia 6 de fevereiro de 1608 e morreu em Salvador (Bahia),no dia 18 de julho de 1697). Um dos mais influentes personagens do século XVII em termos de política e oratória, destacou-se como missionário em terras brasileiras. Este padre foi um religioso, filósofo, escritor e orador português da Companhia de Jesus.

    Defendeu infatigavelmente os direitos humanos dos povos indígenas combatendo a sua exploração e escravização e fazendo a sua evangelização. Era por eles chamado de "Paiaçu" Grande Padre ou Pai, em tupi.

    António Vieira defendeu também os judeus, a abolição da distinção entre cristãos-novos (judeus convertidos, perseguidos à época pela Inquisição) e cristãos-velhos (os católicos tradicionais), e a abolição da escravatura. Criticou ainda severamente os sacerdotes da sua época e a própria Inquisição.

    Na literatura, seus sermões possuem considerável importância no barroco brasileiro e português. As universidades frequentemente exigem sua leitura.

    António Vieira veio à Bahia, onde em 1609 seu pai passou a trabalhar como escrivão no Tribunal da Relação da Bahia, o que motivou a vinda de toda a família. Em 1614, começou os primeiros estudos no Colégio dos Jesuítas de Salvador onde, principiando com dificuldades, veio a tornar-se um brilhante aluno. Ingressou na Companhia de Jesus como noviço em maio de 1623.

    Gabriel Soares de Oliveira - 107




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    Padre Antônio Vieira era chamado pelos índios de "Paiaçu" (pai em tupi).

    A imagem é uma ilustração de como os índios respeitavam Padre Antônio Vieira, já que ele defendia os direitos dos povos indígenas para que eles não fossem escravizados pelos colonizadores portugueses.

    Mas ele não fazia o mesmo com os negros africanos trazidos da África para serem escravizados. Quando pregava aos negros, Antônio Vieira dizia que eles tinham a mais alta qualificação humana, comparando ás dores vividas por Jesus Cristo, porém o sofrimento deles era um designo de Deus, e que era preciso passar por toda a tortura e humilhação de ser um escravo em vida para que depois, suas almas pudessem ter a salvação. Fazendo então, com que eles acreditassem que haveria uma recompensa maior por todo o sofrimento vivido.


    Alessandra Moreira - Turma 101

    Sermão do Bom LadrãoEditar

    Escrito pelo Padre Antônio Vieira, em 1655, este sermão foi proferido em frente à João IV e sua corte, além de ministros juízes e conselheiros, criticando aqueles que usavam do poder público para enriquecer ilicitamente, denunciando fraudes, desigualdades e riquezas ilícitas.


  • ”Levarem os reis consigo ao paraíso os ladrões, não só não é companhia indecente, mas ação tão gloriosa e verdadeiramente real, que com ela coroou e provou o mesmo Cristo a verdade do seu reinado, tanto que admitiu na cruz o título de rei.

    Mas o que vemos praticar em todos os reinos do mundo é, em vez de os reis levaram consigo os ladrões ao paraíso, os ladrões são os que levam consigo os reis ao inferno.”


    Nessa parte do sermão o Padre adverte aqueles que permitem o roubo, fazem parte do roubo, afirmando que é mais fácil os ladrões levarem consigo ao inferno aqueles que em silêncio permitem o roubo do que estes levarem os ladrões ao paraíso.

    "A salvação não pode entrar sem se perdoar o pecado, e o pecado não se perdoa sem se restituir o roubado."


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  • Já nessa parte ele afirma que só se tem a salvação aquele que além de perdoar restituir suas faltas.


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  • "O ladrão que furta para comer, não vai, nem leva ao inferno; os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são outros ladrões, de maior calibre e de mais alta esfera. (...) os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. - Os outros ladrões roubam um homem: estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo do seu risco: estes sem temor, nem perigo; os outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam."


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  • E ele critica ainda a sociedade que semeando a desigualdade tenta se desviar de culpa punindo ladrões são reflexos dela mesma.

    Gabriela Nakashima - 101


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  • Padre Antônio Vieira – escritor barroco

    Padre Antônio Vieira nasceu em 1608, em Lisboa, e representa, sem dúvida, a maior expressão da eloqüência sacra de Portugal e um dos maiores escritores de seu século. Foi para a Bahia, ainda pequeno, onde recebeu ordenação sacerdotal e começou a atuar na Companhia de Jesus, que era um movimento cristão de catequização indígena, que discriminava a escravidão pelos colonos, ao mesmo tempo que também utilizava a mão-de-obra indígena.

    Antônio Vieira se destacou por ser um pregador facundo, principalmente no que diz respeito aos seus sermões. A respeito destes últimos, eram impregnados de filosofia, o que o levava a se considerar um filósofo que tratava apenas de assuntos cristãos. Por algum tempo esteve politicamente envolvido com a Inquisição, período no qual foi acusado até mesmo de traição por defender, além dos índios, os novos cristãos, principalmente os judeus. Sofreu condenação, dita como branda, por parte da Inquisição: ficou preso por dois anos (1665-1667) e foi impedido de dar palavra. Vieira usou seu dom da retórica para falar com o papa a respeito desta condenação, o qual o absolve de toda censura ainda existente. Logo após, Antônio Vieira foi a Roma, onde assumiu novamente seu papel oratório. Em 1681, decidiu regressar ao Brasil, onde faleceu, em 1697, no Colégio da Bahia.

    Podemos dividir a obra de Padre Antônio Vieira em:

    • Profecias: constituintes de três obras: História do futuro, Esperanças de Portugal e Clavis prophetarum.

    • Cartas: são cerca de 500 cartas, que tratam de assuntos sobre a relação de Portugal e Holanda, a Inquisição e os cristãos-novos. São tidos como documentos históricos importantes, já que tratam das diversas situações sócio-políticas da época.

    • Sermões: são aproximadamente 200 sermões, com estilo barroco conceptista, que trata o assunto de maneira racional, lógica e utiliza retórica aprimorada. Um dos seus sermões mais conhecidos é o “Sermão da Sexagésima”, o qual é metalingüístico, já que tem como tema a própria arte de pregar. Além deste, temos: Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda, Sermão de Santo Antônio e Sermão aos peixes. Sermão da Sexagésima
    Padre Antônio Vieira

    (...) Quando Cristo mandou pregar os Apóstolos pelo Mundo, disse-lhes desta maneira: Euntes in mundum universum, praedicate omni creaturae: «Ide, e pregai a toda a criatura». Como assim, Senhor?! Os animais não são criaturas?! As árvores não são criaturas?! As pedras não são criaturas?! Pois hão os Apóstolos de pregar às pedras?! Hão-de pregar aos troncos?! Hão-de pregar aos animais?! Sim, diz S. Gregório, depois de Santo Agostinho. Porque como os Apóstolos iam pregar a todas as nações do Mundo, muitas delas bárbaras e incultas, haviam de achar os homens degenerados em todas as espécies de criaturas: haviam de achar homens homens, haviam de achar homens brutos, haviam de achar homens troncos,haviam de achar homens pedras. (...)

    Por Sabrina Vilarinho
    Graduada em Letras
    Equipe Brasil Escola

    (Fábio Augusto, 107) </li>

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