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A reportagem abaixo foi feita pelo jornal Estado de Minas.

A bicicleta vem sendo cada vez mais usada por moradores da Região Metropolitana de Belo Horizonte em seus deslocamentos rotineiros, mas é pouco adotada por pessoas de maior renda. Segundo a Pesquisa Origem e Destino, realizada pela Secretaria de Estado Extraordinária de Gestão Metropolitana (Segem), o meio de transporte é empregado em uma média de quase 130 mil viagens diárias, principalmente para chegar aos locais de trabalho ou de estudo. Desse total, 77% são feitas por pessoas que ganham até dois salários mínimos (R$ 1.356). Ciclistas reclamam dos riscos de disputar espaço com carros, ônibus e outros veículos motorizados.

Com números relativos a 2012, a pesquisa aponta que deslocamentos não motorizados (a pé ou de bicicleta) responderam por 37,7% das viagens realizadas no ano passado na Grande BH, mais que os 31,4% de transporte coletivo e os 30,8% de transporte individual motorizado, como carros e motos. A modalidade não motorizada cresceu 171% entre 2002 e 2012, índice maior que os 121% de aumento dos coletivos e abaixo apenas que o salto de 286% alcançado pelos veículos individuais.

A Grande BH teve uma média diária de 129,9 mil viagens de bicicleta em 2012, segundo o levantamento. A capital lidera o ranking com média de 28.248 deslocamentos, 21% do total, seguida por Contagem (16.489), Pedro Leopoldo (13.938), Betim (13.129) e Ribeirão das Neves (7.297). A ida ao trabalho foi o motivo de 35,3% dos percursos, com 45.891 por dia. Aulas e demais atividades de estudo foram a razão de 6,3% das viagens (8.239). A volta para casa não foi considerada entre os motivos especificados na pesquisa.

A magrela é empregada sobretudo como alternativa por quem não tem dinheiro suficiente para comprar ou usar com frequência meios de transporte mais caros, como carros e motos. A média diária de viagens de bicicleta cai com o aumento do nível econômico. Do total de deslocamentos, 16,56% são feitos por pessoas sem renda. A taxa sobe para 23,12% na faixa de até um salário mínimo (R$ 678) per capita e para 37,36% no grupo de até dois salários mínimos per capita. A partir daí o índice cai até chegar a zero entre pessoas que ganham mais de 20 salários mínimos (R$ 13.560).

Thiago Rodrigues Souza, de 29 anos, usa desde 2005 bicicleta como meio de transporte rotineiro. Quando estudava na UFMG, pedalava 45 minutos até o câmpus da Pampulha. Designer multimídia freelancer, ele mora no Bairro São Geraldo, Região Leste da capital e percorre de bicicleta uma média diária de 15 quilômetros. “Não conseguiria bancar os custos de comprar e manter um carro, mas a questão da grana é o menos importante. Se eu tivesse um carro, ocuparia um espaço gigantesco, em detrimento de outras pessoas”, observa.

“É preciso ter coragem para encarar esse trânsito. Você sempre fica meio apreensivo. Uma vez, eu estava pedalando na Via Expressa e fui fechada por um ônibus. Quase fui atropelada”, lembra a estudante de arquitetura e urbanismo Enne Maia, de 27 anos, que adotou em junho uma bicicleta para os compromissos diários. Ela não tem carro nem carteira de habilitação. “Além de não ter dinheiro para manter um carro, eu nunca quis dirigir. O trânsito é caótico”, explica. Moradora do Bairro Camargos, na Região Noroeste, ela pedala cerca de meia hora até o câmpus da PUC no Bairro Coração Eucarístico, onde estuda. Porém, precisa pegar um ônibus até o órgão público no qual é estagiária, no Centro. “Lá não tem paraciclo (estrutura metálica à qual se prende a bicicleta com corrente ou cadeado)”, explica.

Além das bicicletas convencionais, há as elétricas, regulamentadas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) na semana passada. Elas devem alcançar a velocidade máxima de 25 km/h e não ter acelerador. Precuisam também ter indicador de velocidade, campainha, sinalização noturna dianteira, traseira e lateral, espelhos retrovisores e pneus em condições mínimas de segurança. Para os modelos com acelerador, a equiparação com ciclomotor continua. Entre as 11 bicicletas de Gil Demir Lima, há uma elétrica. “Ela é perfeita para BH, que tem muita ladeira. O esforço é mínimo”, explica ele, que tem 35 anos e trabalha como assessor parlamentar na Câmara Municipal, além de ser designer de assessórios para o veículo.

Segundo a BHTrans, a capital tem quatro bicicletários, espaços delimitados excluvisamente para estacionamento de bicicletas. Eles ficam nas estações BHBus Barreiro, Venda Nova, São Gabriel e Diamante. Há também 81 paraciclos e cada um comporta até dois veículos. Em 2014, o órgão planeja implantar 250, cuja contratação está em processo licitatório. A cidade tem 57,56 quilômetros de ciclovias, sendo 14,16kms implantados neste ano. No primeiro semestre do próximo ano, mais 18,06 kms devem ser inaugurados. A BHTrans planeja abrir em janeiro de 2014 os envelopes com as propostas das empresas interessadas em instalar e operar estações com bicicletas para uso compartilhado. O edital estabelece que o preço do aluguel diário não pode ultrapassar R$ 3 por veículo. O mensal deve custar até R$ 9 e o anual R$ 60. Os interessados devem apresentar 30 sugestões de endereços para abrigar as estações, de uma lista de 65 opções constantes no edital.

“Em 2012, a prefeitura tinha meta de terminar o ano com 120 quilômetros de ciclovias, mas não chegou a 50. Em 2013, a meta era acabar com 100 quilômetros, mas temos menos de 60. É preciso ter ciclovias em corredores de trânsito mais intenso, como Antônio Carlos, Amazonas e Barão Homem de Melo. Por outro lado, há ciclovias em ruas onde não são necessárias”, indica Guilherme Tampieri, membro da Associação dos Ciclistas Urbanos de BH e do grupo de trabalho Pedala BH, que reúne representantes do poder público e da sociedade.

BAIXA RENDA Segundo a pesquisa Origem e Destino, realizada pela Secretaria de Estado Extraordinária de Gestão Metropolitana (Segem), em 2012 houve uma média de 4,8 milhões de deslocamentos a pé na Grande BH, 46,7% deles na capital. Em 91,25% dos casos, foram feitos por pessoas na faixa de renda de até dois salários mínimos per capita. O motivo mais comum foi chegar ao local de estudo (20,43%), seguido do trabalho (14,69%), lazer (3,7%), compras (3,6%).

O oftalmologista Clauton Brina, de 44 anos, percorre a pé o trajeto de ida e volta entre o apartamento onde mora, no Bairro Serra, Região Centro-Sul, e seu consultório, no Centro. Gasta 40 minutos em cada trecho. “Dirigir está cada vez mais cansativo”, diz.

Motivos dos deslocamentos de bicicleta

Trabalho: 35,3%

Aulas e outras atividades de estudo: 6,3%

Lazer: 3,17%

Refeições (almoço e jantar): 2,47%

Negócios particulares (ida a agências bancárias, casas lotéricas etc.): 1,79%

Compras: 1,76%

Dar carona a alguém: 1,1%

Saúde (ida ao médico): 0,12%

Outros: 1,76%

  • A relação de motivos não inclui a volta para casa

Deslocamentos de bicicleta por faixa de renda

Sem renda: 16,56%

Até um salário mínimo: 23,12%

Mais de um até dois salários mínimos: 37,36%

Mais de dois até três salários mínimos: 9,67%

Mais de três até cinco salários mínimos: 2,78%

Mais de cinco até dez salários mínimos: 0,19%

Mais de dez até 15 salários mínimos: 0,05%

Mais de 15 até 20 salários mínimos: 0,02%

Mais de 20 salários mínimos: 0%

Entrevistados que não declararam renda: 10,25% Acesse a reportagem: http://a.bhemciclo.org/1c7e4hX

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