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A obra de Tomás Antônio Gonzaga “ Marília de Dirceu” é uma das obras mais lidas da literatura brasileira, tendo diversas edições desde o seu lançamento, Tomás Gonzaga foi reconhecido pelo seu trabalho ainda em vida. (livro completo em domínio público aqui )

Sendo divida em 3 partes, a ultima se mostra muito confusa e não se sabe se é mesmo de autoria de Gonzaga, portanto a primeira e segunda parte são as mais populares. A Lira inicial do livro diz muito sobre Marília, mas principalmente diz muito sobre o próprio Dirceu. Para a entendermos melhor, segue a análise das estrofes:



PARTE 1

Lira I

Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,

Que viva de guardar alheio gado;

De tosco trato, d’ expressões grosseiro,

Dos frios gelos, e dos sóis queimado.

Tenho próprio casal, e nele assisto;

Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;

Das brancas ovelhinhas tiro o leite,

E mais as finas lãs, de que me visto.

Graças, Marília bela,

Graças à minha Estrela!

Dirceu apresenta seus bens, como se quisesse dizer à Marília que é digno do seu amor. Marília, pseudônimo para Maria Doroteia, pertencia a uma das mais importantes famílias de Minas, portanto Dirceu sente-se inseguro em relação a ela. Nesta primeira estrofe afirma que não é servo de ninguém, possui seu próprio rebanho e sobrevive bem dele.



Eu vi o meu semblante numa fonte,

Dos anos inda não está cortado:

Os pastores, que habitam este monte,

Com tal destreza toco a sanfoninha,

Que inveja até me tem o próprio Alceste:

Ao som dela concerto a voz celeste;

Nem canto letra, que não seja minha,

Graças, Marília bela,

Graças à minha Estrela!

Nos dois primeiros versos Dirceu faz referência a sua beleza, que ainda não fora deformada pelo tempo. Se na estrofe anterior Dirceu faz referencia a seus bens materiais, nesta estrofe mostra seus dons de artista, afirma que toca a sanfona com destreza e escreve suas próprias letras, e faz isso bem. Despertar a inveja de "Alceste", pseudônimo para Claudio Manuel da Costa significava algo muito importante a Dirceu, já que era um amigo do qual ele admirava muito.


Mas tendo tantos dotes da ventura,

Só apreço lhes dou, gentil Pastora,

Depois que teu afeto me segura,

Que queres do que tenho ser senhora.

É bom, minha Marília, é bom ser dono

De um rebanho, que cubra monte, e prado;

Porém, gentil Pastora, o teu agrado

Vale mais q’um rebanho, e mais q’um trono.

Graças, Marília bela,

Graças à minha Estrela!

Dirceu retoma aos dotes e bens que afirmou possuir nas estrofes anteriores, mas dessa vez faz descaso deles, pois, comparados a Marília nada disso importa. O amor dela vale mais que qualquer coisa.



Os teus olhos espalham luz divina,

A quem a luz do Sol em vão se atreve:

Papoula, ou rosa delicada, e fina,

Te cobre as faces, que são cor de neve.

Os teus cabelos são uns fios d’ouro;

Teu lindo corpo bálsamos vapora.

Ah! Não, não fez o Céu, gentil Pastora,

Para glória de Amor igual tesouro.

Graças, Marília bela,

Graças à minha Estrela!

É a primeira estrofe em que Dirceu descreve características físicas de Marília. Descreve sua beleza, seus olhos, pele, corpo e cabelo. Quando se refere aos cabelos "fios d'ouro" Dirceu da a entender que Marília é loura, porém dados históricos afirmam (e também o próprio Gonzaga nas próximas liras) que Maria Doroteia era morena, os fios d'ouro fazem referencia ao estereótipo de beleza europeia, da qual Gonzaga foi influenciado.



Leve-me a sementeira muito embora

O rio sobre os campos levantado:

Acabe, acabe a peste matadora,

Sem deixar uma rês, o nédio gado.

Já destes bens, Marília, não preciso:

Nem me cega a paixão, que o mundo arrasta;

Para viver feliz, Marília, basta

Que os olhos movas, e me dês um riso.

Graças, Marília bela,

Graças à minha Estrela!

A paixão aos bens materiais não cegam Dirceu, ele não precisa deles para ser feliz. A única coisa que ele precisa é do olhar e do sorriso de Marilia.



Irás a divertir-te na floresta,

Sustentada, Marília, no meu braço;

Ali descansarei a quente sesta,

Dormindo um leve sono em teu regaço:

Enquanto a luta jogam os Pastores,

E emparelhados correm nas campinas,

Toucarei teus cabelos de boninas,

Nos troncos gravarei os teus louvores.

Graças, Marília bela,

Graças à minha Estrela!

Descreve a vida que terão caso Marilia o aceite. Mostra que ela terá uma vida plena, tranquila e satisfeita ao lado de Dirceu.



Depois de nos ferir a mão da morte,

Ou seja neste monte, ou noutra serra,

Nossos corpos terão, terão a sorte

De consumir os dois a mesma terra.

Na campa, rodeada de ciprestes,

Lerão estas palavras os Pastores:

"Quem quiser ser feliz nos seus amores,

Siga os exemplos, que nos deram estes."

Graças, Marília bela,

Graças à minha Estrela!

Mesmo quando morrerem, eles não irão se separar. Após viver uma vida juntos, serão enterrados também juntos e será escrito em seu tumulo tais palavras para que todos possam seguir o seu exemplo e serem felizes como eles foram.

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